Brincar com sons
Juntar letras
Formar palavras
Descobrir a sonoridade e o nome de tudo
Que está no mundo
nas coisas
no pensamento.

Ler é tão bom!

Poder viajar
Conhecer mundos de ontem
de hoje
de amanhã.
Imaginar.
Criar.
Sonhar.
A leitura permite isso e muito mais
Pois ler é tão bom!

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Folguedos, Danças e Músicas Folclóricas pra bem festejar / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto

maracatu rural em Nazaré da Mata / PE
Tudo junto e misturado... 
acho que pode resumir a presença dos Folguedos
Danças e  Músicas da cultura popular deste nosso país, já que, didaticamente, fica difícil classificar 
em uma só categoria.
Presentes nos diferentes ciclos folclóricos, encantam 
e acrescentam à memória afetiva e vivências 
de brasileiros e brasileiras.
Lia de Itamaracá cantando cirandas

SALVE, LIA DE ITAMARACÁ! 
Thelma Regina Siqueira Linhares 

“...Esta ciranda quem me deu foi Lia 
Que mora na Ilha de Itamaracá.” 

Quantos anos já se vão 
E quantas voltas a vida deu... 
Nem sempre como a brisa do vento. 
Nem sempre como o balanço do mar. 
A juventude ficou 
lá nas pegadas da areia de Itamaracá. 
Mas o sonho e o encanto, 
esses, sim, 
continuam 
e hoje é bom recordar 
doces momentos 
da ciranda de Lia de Itamaracá. 

maracatu rural em Nazaré da Mata / PE
Os folguedos folclóricos são festas de caráter popular, caracterizados pela presença de música, dança e representação teatral. Muitos possuem origem religiosa
e raízes culturais dos povos que formaram nossa cultura, especialmente, africanos, portugueses e indígenas. 
Os folguedos fazem parte da cultura popular e do folclore brasileiro.


Exemplos de folguedos:
Bumba-meu-boi, Cavalo Marinho, Cavalhada, Congada, Folia-de-reis, Maracatu de Baque-Virado ou Maracatu Real, Maracatu de Baque Solto ou Maracatu Rural, Marujada, Pastoril, Reisado,etc.



As danças folclóricas representam tradições e cultura de uma determinada região. Em suas origens, muitas apresentam ligação com aspectos religiosos,  fatos históricos, festas e acontecimentos do cotidiano e brincadeiras. Socializantes, são realizadas em espaços públicos como praças, ruas e largos.


Exemplos de danças folclóricas e populares:
Baião, Batuque,
Carimbó, Cateretê ou Catira, Coco, Congada, Chula,
Dança do Boi de Mamão, Dança da Fita, 
Dança do Siriá,
Fandango, Frevo, Jongo, Lundu,
Maracatu, Marujada,
 Pastoris, Pezinho,
Quadrilha,
Samba de Roda, Samba de Matuto, 
Xote, Xaxado, etc.


As músicas folclóricas são canções populares, transmitidas ao longo do tempo, através das gerações. 
Ludicidade, simplicidade das letras e melodias e repetições  facilitam a memorização desse fato folclórico.


Exemplos de músicas folclóricas:
Sapo Cururu ou Jururu, Meu limão,
Pombinha branca, Prenda minha, Peixe vivo, etc.


RITMOS MUSICAIS  
Thelma Regina Siqueira Linhares 

Músicas há em mim 
Frevo no turbilhão das emoções 
O compasso diário é ao som do Forró, Xaxado e Baião 
Na Ciranda tenho a expressão dos sentimentos profundos 
O ritmo fisiológico é no Maracatu e Axé que encontro eco 
No Samba sambo, rebolo, embolo 
E à noite Cantigas de Ninar embalam os sonhos. 

Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - 51º volume - CBJE - RJ

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Cantigas de roda, cantigas de ninar e outros cantares / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto


"Ciranda, cirandinha
Vamos todos cirandar!
Vamos dar a meia volta
Volta e meia vamos dar..."

As cantigas de ninar, as cantigas de roda e outros cantares
ecoam da memória afetiva. Como faz bem!
E como seria difícil listar as mais significativas...
Fragmentos aqui para ilustrar fotos autorais.
E você, qual a sua preferida?


"Se essa rua, se essa rua fosse minha
Eu mandava, eu mandava ladrilhar..."




"Borboletinha
Tá na cozinha
Fazendo chocolate para a madrinha
Poti-poti, perna de pau,
olho de vidro e nariz de picapau"



Algumas Cantigas de Roda (*)
Thelma Regina Siqueira Linhares

Em 1979, quando ensinávamos, realizamos uma pesquisa entre alunos da 1ª a 4ª série do 1º Grau,
de uma escola particular na cidade do Recife. O universo pesquisado totalizou oito turmas e cento
e trinta crianças.
A pesquisa foi composta de um questionário, a título de tarefa de casa, durante as comemorações
do mês de folclore – agosto. E, para a realização da mesma, contamos com a colaboração das
colegas professoras, responsáveis por suas respectivas classes.
O questionário, respondido por crianças na faixa etária dos seis aos doze anos, abrangeu algumas
das manifestações do folclore infantil: cantigas de roda, estórias e lendas, parlendas e travalínguas
e brincadeiras. Também, apresentou perguntas sobre adivinhações, quadrinhas populares e provérbios.
Em algumas respostas percebemos, de modo nítido, a orientação do adulto. Porém, consideramos
que tal interferência não invalidou os dados coletados, pois a transmissão – oral ou não – do fato folclórico às gerações mais novas, foi e continua sendo uma das principais fontes de sua própria sobrevivência.
Nesta pesquisa, apresentamos o que foi possível coletar sobre cantigas de roda. As mais conhecidas pela garotada e suas variações, às vezes, em apenas uma palavra. Descrevemos, também, a maneira peculiar de brincá-las. Na conclusão, apresentamos algumas sugestões que, no nosso entender, poderiam intensificar a presença desta manifestação folclórica no cotidiano infantil.
Uma restrição, desde já, fazemos ao presente estudo. Referimo-nos à nossa falta de conhecimento musical para “prendermos” nas classes de sol ou fá – não sei – a musicalidade das cantigas de roda.

A cantiga de roda que maior freqüência teve na pesquisa foi a Atirei o pau no gato. Brinca-se em roda, de mãos dadas, girando para a direita ou para a esquerda. Não há dramatização. Apenas no
final da música – no “miau” – é que as crianças se acocoram. Além de ter sido a mais citada, esta cantiga de roda apresentou o maior número de variações: às vezes, em uma só palavra; em outras,
em um verso inteiro. A primeira versão foi a mais conhecida:

“Atirei o pau no ga to tô 
mas o ga to tô 
não morreu reu reu 
dona Chica ca 
dimirou-se se 
do miau, do miau 
que o gato deu: 
Miau!” 

“Atirei o pau no ga t ó tó 
mas o ga t ó tó 
não morreu reu reu 
dona Chi c á cá 
De mirou s é sé 
Do berro, do berro 
Do gato teu 
Miau!” 

Fui à Espanha é outra cantiga de roda muito apreciada pelas crianças. Nela, a dramatização está presente e, o que é importante, todos participam em conjunto e igualmente. Por exemplo: apontar
o céu, bater palmas, bater com o pé no chão, requebrar com as mãos na cintura, etc. A preocupação de todos é não ser a avó no final da brincadeira. Isto é, ao ser cantado o estribilho “a bênção vovó”,
 a roda é desfeita e cada criança procura um par. A que ficar sozinha é a avó e para ela se dirigem todos os pares:

“Fui à Espanha 
buscar o meu chapéu 
azul e branco 
da cor daquele céu. 
Bate palma, palma, palma 
Bate pé, pé, pé 
Olha a roda, roda, roda 
Caranguejo peixe é. 
Caranguejo não é peixe 
Caranguejo peixe é 
Caranguejo só é peixe 
Na enchente da maré. 
Samba crioula 
Que vem da Bahia 
Pega a criança e joga na bacia 
A bacia é de ouro 
Areada com sabão 
E depois de areada 
Enxugando com o roupão 
O roupão é de seda 
Camisinha de filó 
E agora vamos dar 
A bênção a vovó! 
A bênção vovó!” (Repete-se diversas vezes)

Outra cantiga de roda em que há a participação do grupo é em A canoa virou. As crianças
vão cantando e dizendo, de cada vez, o nome de um componente da roda. Ao ser chamado,
o participante fica de costas e, continua na roda, até que todos assim estejam.

“A canoa virou 
deixou de virar 
por causa de ____ (o nome de uma criança da roda)
que não soube navegar. 
Se eu fosse um peixinho 
E soubesse nadar 
Eu tirava ____ (repete-se o nome da criança)
Das ondas do mar.” 

Em Pai Francisco, duas crianças são previamente escolhidas e têm, assim, o papel de destaque.
Uma fica dentro da roda, parada, enquanto a outra, o “Pai Francisco”, fica do lado de fora, aguardando a chamada dos companheiros. O grupo começa a cantar e, quando chama o “Pai Francisco”, a roda pára e abre alas para sua passagem. Este deverá dramatizar bastante, para
a alegria da garotada.

“Pai Francisco entrou na roda 
Tocando seu violão 
Delém, dém, dém 
Delém, dém, dém. 
Vem de lá seu delegado 
Que Pai Francisco 
Entrou na prisão. 
Quando ele vem 
Se requebrando 
Parece um boneco 
Se desmanchando.” (bis)

Em algumas cantigas de roda, a amizade existente entre as crianças pode interferir no transcurso da brincadeira. Isto porque, em alguns papéis de destaque que exigem substituição, pode ocasionar a escolha freqüente de determinada criança, em detrimento de outras que, assim, se sente rejeitada. Pode ocorrer, também, o pedido quase coletivo de ser escolhido, com a saída, até, do lugar na roda, o que, de certa forma, tumultua a brincadeira.

A Carrocinha Pegou é um exemplo. Ao ser iniciada a brincadeira, três crianças são escolhidas para ‘cachorrinho”. Estes formam uma roda menor, no centro. Quando chega a hora do estribilho, a roda maior pára e os “três cachorrinhos” escolhem um substituto, respectivamente, com pulos coordenando deslocamentos da mão direita para a testa e calcanhar direito tocando o chão. Em seguida, efetuam este mesmo movimento para o lado esquerdo, alternando-se até o término do refrão:

“A carrocinha pegou 
três cachorros de uma só vez. (bis) 
Trá lá lá que gente é essa? 
Trá lá lá que gente má. (bis)” 

Na cantiga de roda Senhora dona Sancha escolhe-se uma criança que fica acocorada no centro da roda, com os olhos tapados pelas mãos. Quando se canta o último verso, a criança, com os olhos fechados, vai escolher “uma pedrinha”. A escolha consiste em abraçar um dos integrantes da roda, que está parada. Para dificultar a escolha, pode ocorrer que todos resolvam se deslocar quando “Senhora dona Sancha” se aproxima...

“Senhora dona Sancha 
descubra o seu rosto 
seu rosto é de prata 
quero ver a sua cara. 
Que anjos são esses 
Que andam por ai 
É de noite é de dia 
Padre Nosso, Ave Maria. 
Sou filha do rei 
Neta da rainha 
Seu rei mandou dizer 
Que escolhesse uma pedrinha.” 

Como conclusão, arriscamos apresentar as seguintes considerações:
A cantiga de roda constitui um elemento indispensável na socialização infantil, além de ser um importante lazer.
As crianças pequenas começam a brincar de roda já no pré-escolar, ou antes, com as mães,
babás ou coleguinhas.
Em geral, os meninos não gostam muito de brincar de roda – acham que é “brincadeira de menina”.
Embora, a freqüência da roda nos recreios escolares, praças ou áreas de lazer de edifícios seja pequena, é interessante verificar sua presença, ainda que, só como música, canto.
É alentador, de certa forma, observar que a cantiga de roda disputa, com os super-heróis importados
e brinquedos eletrônicos, um lugarzinho nas preferências infantis.
É estimulante saber que as crianças continuam dando as mãos e brincando de roda, embora em número muito reduzido. Mas, continuam cantando:
“Ciranda, cirandinha
Vamos todos cirandar
Vamos dar a meia-volta
Volta e meia vamos dar.”
Nós, adultos, poderíamos e deveríamos contribuir, de modo consciente e objetivo, na preservação
e maior divulgação desta manifestação do folclore infantil – assim como, de muitos outros fatos folclóricos.

Apresentamos a seguir, apenas, três sugestões a respeito:
As professoras poderiam introduzir, com maior freqüência, as cantigas de roda no repertório do
pré-escolar, através de dramatizações, das festinhas ou, simplesmente, dos recreios dirigidos.
As professoras de 1º Grau poderiam usar, como textos de leitura e interpretação, as letras das
cantigas de roda em suas classes.
Os meios de comunicações, em especial a televisão, poderiam divulgar mais as cantigas de roda dentro de suas programações infantis, utilizando-se de concursos, pesquisas e promoções diversas.

(*) Micromonografia da série FOLCLORE, nº 136, de julho de 1983. FUNDAJ.
e
incluso na ANTOLOGIA PERNAMBUCANA DE FOLCLORE. Organizada por Mário Souto Maior e Waldemar Valente. Editora Massangana. Recife. 1988

"Alecrim, Alecrim dourado 
Que nasceu no campo 
Sem ser semeado (bis)

Foi meu amor 
Que me disse assim 
Que a flor do campo é o alecrim"(bis)


"Boi, boi, boi
boi da cara preta
pega esta criança que tem medo de careta"

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Brincadeiras e Brinquedos Populares / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto


"A criança de ontem ensina a de hoje." 
... e poderia ser diferente? 


Brincadeiras, Jogos e Brinquedos Populares 
foram aqui agrupados num único post. Além de exercício físico, agregam valores e afetividades, favorecendo 
o pleno desenvolvimento da criançada. Extrapolam idades, 
e adaptam-se à contemporaneidade, se reinventando...

Listando, algumas, no viés afetivo do agora:
* soltar papagaio/pipa com papai Nami: momento único, em arraia feita a quatro mãos e personalizada;
* mímica com mamãe Ivanice;
gata pintada e cinco pedrinhas  com minha irmã Edna;
* o que é, o que é? com madrinha Getrudes;
* escravo de jó com coleguinhas da infância;
* boca de forno com Sthella, Rodrigo e Júnior;
*forca com estudantes ao longo da vida profissional;
* dedo mindinho com sobrinhos e sobrinhas;
* trava-línguas com Íris e Bruno;
* casinha (ratinho) com tia Dulce;
* tá frio, tá quente! tia Beta;
* jogo da memória com tia Nida.


Folcloreando 
Thelma Regina Siqueira Linhares

Ciranda, cirandinha 
- quem já não cantou? 
Passar anel e pular amarelinha 
- quem já não brincou? 
Cinderela, Branca de Neve 
- quem já não contou? 
Um, dois, feijão com arroz 
- quem já não falou? 

Bola de gude. 
Empinar papagaio. 
Brincar de elástico. 
Boca de forno - forno! 
Estátua. 
Dedo mindinho. 

A criança de ontem ensina a de hoje. 
E assim por diante. 
Amém!

em 15/11/2001)
para Benjamin

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Feira livre: de (quase) tudo tem / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto

Passear em feira livre é interessante, especialmente, 
quando se compara com a rotina de compras em supermercados, lojas e shoppings.
Um corre-corre, em espaços apertados, uma poluição sonora, entre falares, histórias e vivências. 
Passa uma certa dosagem de improvisação e desorganização, para quem não está acostumado.
Eu gosto...



A FEIRA DE GRAVATÁ (*)
Thelma Regina Siqueira Linhares 

Passear em feira livre é sempre uma experiência social fantástica. Especialmente, em cidade que tem nela a tradição cultural e turística, como acontece em Caruaru/Pe e sua cantada Feira de Caruaru, que “tem de tudo pra gente vê” e comprar. Mas, é a Feira de Gravatá/PE, o foco desta crônica.
No período de julho a setembro deste ano (2006), nas várias idas àquela cidade, desfrutei de momentos de alegria e curtição, ao lado da minha família. Muitas fotos registraram as singularidades e belezas do lugar, além da emoção e sentimento vivenciados, congelados nos flashs da digital. Nesta crônica, alguns detalhes daqueles passeios na Feira de Gravatá, pois não queria esquecê-los...
O esplendor da Feira de Gravatá acontece todo sábado, quando se derrama por várias ruas do centro daquela cidade do Agreste pernambucano. E há de quase tudo. Organizada por setores, são várias feiras em uma só. Tem o troca-troca, a sulanca, os calçados, as panelas e jarros em barros, as utilidades domésticas, as flores, os cereais, as frutas e as verduras. Sons, cores, cheiros e sabores se misturam quase na mesma proporção do vai-e-vem incessante de muitos transeuntes, que se revesam nas horas em que dura a feira.
Casais e até famílias inteiras retiram da feira seu sustento. A barraquinha é seu trabalho. Às vezes, tradição de gerações. Chama atenção, pela simplicidade, a banquinha de “Seu” Nado Folheteiro, que vende literatura de cordel. O carrinho de mãos, cheio de frutas de barro e ocupando pequeno espaço, também, vende. Mas há bancas grandes, em especial, as da sulanca, de sapatos e utensílios domésticos. E, em toda a feira, o clima serrano, que dá à Gravatá o título de Suíça Brasileira, ameniza o calor, mesmo nas horas mais quentes do dia.
Adolescentes e crianças, com carrinhos de mão, disponibilizam serviço de frete das mercadorias compradas. Os vendedores e vendedoras oferecem seus produtos através de pregões, da presença solícita para um bom atendimento ou, simplesmente, na base da conversa. A variante linguística chama atenção do visitante. É possível, então, comprovar o que Manuel Bandeira já dizia no poema Evocações do Recife e, certamente, vale para os vários cantos do Brasil:
“A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros 
Vinha da boca do povo na língua errada do povo 
Língua certa do povo 
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil...” 
Na feira, a diversidade cultural do nosso país continental fica mais evidente. E a Feira de Gravatá, além de um real exemplo, é um bom roteiro turístico. Inesquecível!

(*) Novos Talentos da Crônica Brasileira - vol 6 - Br Letras/CBJE - RJ - dez/2006.

domingo, 16 de agosto de 2015

Literatura de cordel e Xilogravura / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto


 Sr Nado folheteiro 
(vendedor de folhetos) na feira livre de Gravatá/PE


 O primeiro texto que escrevi sobre literatura de cordel, 
O Papa na Literatura de Cordel,  foi escrito motivado pela primeira visita de um papa ao Brasil, João Paulo II e, que incluiu o Recife, isso em 1980. Naquela ocasião, poetas populares, em seus folhetos, informaram, festejaram, comunicaram o acontecimento, cumprindo, assim, uma das finalidades do cordel.
Enviei o texto, que organizei como livrinho artesanal e postei para o Vaticano, no desejo de participar das homenagens . Tempos depois, recebi em nome de Sua Santidade, correspondência acusando o recebimento e expressando satisfação. (O Papa João Paulo II mantinha o hábito de responder a quem lhe escrevia...  Anos antes, em seu nome, recebemos congratulações pelo nosso casamento (eu e Edvaldo), e, também, pelo nascimento de Sthella, Rodrigo e Raimundo Jr. 
Muito fofo...)



LITERATURA DE CORDEL, uma mídia em evolução (*) 
Thelma Regina Siqueira Linhares 

A literatura de cordel continua um expressivo meio de comunicação neste século XXI, apesar da morte, tantas vezes anunciada, ao longo dos tempos. Felizmente, enquanto expressão cultural permanece adaptada, reinventada, no desempenho de suas funções sociais. Informar, formar, divertir, socializar ou poetizar, conforme os diferentes temas 
que retrata e o enfoque abordado. 

Da oralidade, lá em suas origens remotas, à era tecnológica, hoje, é real a transformação e adaptação, compatível à própria evolução da humanidade. Os folhetos impressos em tipografias artesanais, tipo a tipo organizado manualmente, impressos em papel jornal de qualidade duvidosa. Fotos de artistas da época ou de xilogravuras temáticas embelezavam suas capas. Das maletas, que serviam de bancas de venda, os folhetos eram pendurados
em cordões (cordéis) e vendidos nas feiras das pequenas cidades. Percorriam espaços geográficos diferentes. Venciam o tempo. Cantados na feira ou nos sítios tinham o texto parado para aguçar a curiosidade dos ouvintes e compradores – estratégia de marketing...
Já comprados eram guardados, como preciosidade, por uma população quase sempre analfabeta. Resumidamente, essa foi a trajetória da literatura de cordel em fins do século XIX até meados do século XX, período onde grandes nomes fizeram escola. 

A partir da década de 70, o folheto foi sendo rebatizado: literatura de cordel. Estudiosos
do folclore e acadêmicos passaram a se interessar em pesquisar o folheto – seus temas, 
seus autores, suas influências na comunicação de massas, etc. Novos nomes vão aparecendo e sendo difundidos. Novas temáticas são abordadas – afinal, como meio de comunicação, 
os folhetos precisam estar antenados aos fatos da atualidade. Impressão de qualidade. Divulgação na internet, em sites específicos. Novas formas de apresentação: eventos culturais, feiras de artesanato, concursos de violeiros, entre outros. 

O bom de tudo é que, o folheto ou a literatura de cordel, enriquece a já reconhecida e não tanto preconceituosa pluralidade cultural do nosso Brasil. 

(*) Texto escrito em julho e publicado no site www.jornalestrutura.com em agosto/2005. 
E publicado em http://camarabrasileira.com/cordel90.htm





Xilogravura: arte e técnica de fazer gravuras em relevo sobre madeira. Ilustração associada ao folheto, da literatura de cordel. Hoje, também ornamenta objetos decorativos e artesanais.

anjos de J.Borges em decoração natalina de shopping em Recife


sábado, 15 de agosto de 2015

Comidas e Bebidas Típicas / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto


Mais que satisfazer uma necessidade básica, 
o ato de se alimentar reflete a história da construção 
da própria humanidade.
 História que se reinventa no dia-a-dia, assim como 
o próprio pensar, sentir e agir de um povo.
Comer junto é unir-se... a palavra companheiro
vem do latim "cum panis", 
quem partilha o pão. Bonito, né.
No Brasil, a culinária é riquíssima, variada e, principalmente, saborosa. Há uma receita para todo gosto, para atender qualquer paladar. 
Cada uma das cinco regiões, 
cada um dos 26 estados brasileiros, 
possui uma comida típica, um jeito próprio 
de se relacionar com o alimento.
Essa personalização é tamanha, 
que em períodos do ano,  
dependendo dos grandes ciclos folclóricos, há comidas típicas específicas. Por exemplo, as delícias do ciclo junino, à base do milho e  características da Região Nordeste.


pamonha, canjica, pé-de-moleque e bolo de macaxeira


As influências culturais e humanas, formadoras de nós brasileiros, também são observadas na culinária.

feijoada

As bebidas típicas  também se destacam 
na culinária de um povo. Sucos e refrescos com frutas e bebidas com algum teor alcoólico como a caipirinha.

 Suco de acerola.

caipirinha: cachaça, limão e açúcar. 

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Adivinhações / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto

O que é que é surdo e mudo, mas conta tudo?
Resposta: o livro


Adivinhas, adivinhações ou "o que é, o que é?"
são perguntas em forma de  charadas que 
divertem e fazem as pessoas pensar.  
Fazem parte do folclore, um desafio da cultura popular. 
Um passatempo prazeroso, apresentado através 
de enigmas em prosa ou em verso
 e com diferentes níveis  de dificuldade.


O que é o que é feito para andar e não anda?
Resposta: a rua


              Tenho escamas, mas não sou peixe. 
                    Tenho coroa e não sou rei. Quem sou?         
Resposta: o abacaxi


O que é, o que é?

    São 7 cores brilhantes que o
    céu alegram  em um instante.    
Resposta: arco-íris


 O que é, o que é? Cai em pé e corre deitado?
Resposta: a chuva


O que é ? O que é?
Sua vez agora...