Brincar com sons
Juntar letras
Formar palavras
Descobrir a sonoridade e o nome de tudo
Que está no mundo
nas coisas
no pensamento.

Ler é tão bom!

Poder viajar
Conhecer mundos de ontem
de hoje
de amanhã.
Imaginar.
Criar.
Sonhar.
A leitura permite isso e muito mais
Pois ler é tão bom!

sábado, 11 de outubro de 2014

Lavadeiras do Jequitinhonha - Projeto Cantos de Trabalho





Que lindo! Aflorando sensibilidades, lembrei de Maria Pereira, lavadeira em Fortaleza na década de 1960. E, ainda dos versos de Manuel Bandeira, Evocação do Recife:
"Foi há muito tempo...
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil"

Tanta coisa linda que acontece no Brasil, que não se dá importância devida e nem se divulga...


segunda-feira, 28 de julho de 2014

Memórias Socializadas - Infoescola na EMSC em 2000

Escola Municipal São Cristóvão integra a rede municipal da cidade do Recife/PE e está localizada na Rua da Cassiterita, 395, bairro Brejo da Guabiraba, na RPA 3. 
Em 2000, em cerimônia solene, foi inaugurado o laboratório de informática da Escola. Para tal, foi divulgado o convite abaixo, aqui compartilhado. 




quinta-feira, 26 de junho de 2014

Caos Climático / Graça Graúna


(...) a memória das Águas
o grito da Terra(...)
Caos climático
Graça Graúna

É temerário descartar
a memória das Águas
o grito da Terra
o chamado do Fogo
o clamor do Ar.

As folhas secas rangem sob os nossos pés.
Na ressonância o elo da nossa dor
em meio ao caos
a pavorosa imagem
de que somos capazes de expor
a nossa ganância
até não mais ouvir
nem mais chorar
nem meditar,
nem cantar...
só ganância, mais nada.

É temerário descartar
a memória das Águas
o grito da Terra
o chamado do Fogo
o clamor do Ar.

 Nordeste do Brasil, 21 de março de 2014


Graça Graúna (Maria das Graças Ferreira)



Sites sobre Graça Graúna


http://rebra.org/escritora/escritora_ptbr.php?id=1035

http://intercriaturasdenhanderu.wordpress.com/biobibliografia-da-autora/

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Eu quero / Patativa do Assaré

(...) Quero ver o meu país
Rico, ditoso e feliz

EU QUERO
Patativa do Assaré

Quero um chefe brasileiro
Fiel, firme e justiceiro
Capaz de nos proteger
Que do campo até à rua
O povo todo possua
O direito de viver

Quero paz e liberdade
Sossego e fraternidade
Na nossa pátria natal
Desde a cidade ao deserto
Quero o operário liberto
Da exploração patronal

Quero ver do Sul ao Norte
O nosso caboclo forte
Trocar a casa de palha
Por confortável guarida
Quero a terra dividida
Para quem nela trabalha

Eu quero o agregado isento
Do terrível sofrimento
Do maldito cativeiro
Quero ver o meu país
Rico, ditoso e feliz
Livre do jugo estrangeiro

A bem do nosso progresso
Quero o apoio do Congresso
Sobre uma reforma agrária
Que venha por sua vez
Libertar o camponês
Da situação precária

Finalmemte, meus senhores,
Quero ouvir entre os primores
Debaixo do céu de anil
As mais sonoras notas
Dos cantos dos patriotas
Cantando a paz do Brasil.
http://www.fisica.ufpb.br/~romero/port/ga_pa.htm#Euqu
Antônio Gonçalves da Silva conhecido como Patativa de Assaré
* 1909 + 2002




vídeo: http://youtu.be/6jM7cljOIpY
Poemas: Caboclo roceiro e Menino de rua


Caboclo rocero
Patativa Assaré

Caboclo Roceiro, das plaga do Norte
Que vive sem sorte, sem terra e sem lar,
A tua desdita é tristonho que canto,
Se escuto o meu pranto me ponho a chorar

Ninguém te oferece um feliz lenitivo
És rude e cativo, não tens liberdade.
A roça é teu mundo e também tua escola.
Teu braço é a mola que move a cidade

De noite tu vives na tua palhoça
De dia na roça de enxada na mão
Julgando que Deus é um pai vingativo,
Não vês o motivo da tua opressão

Tu pensas, amigo, que a vida que levas
De dores e trevas debaixo da cruz
E as crides constantes, quais sinas e espadas
São penas mandadas por nosso Jesus

Tu és nesta vida o fiel penitente
Um pobre inocente no banco do réu.
Caboclo não guarda contigo esta crença
A tua sentença não parte do céu.

O mestre divino que é sábio profundo
Não faz neste mundo teu fardo infeliz
As tuas desgraças com tua desordem
Não nascem das ordens do eterno juiz

A lua se apaga sem ter empecilho,
O sol do seu brilho jamais te negou
Porém os ingratos, com ódio e com guerra,
Tomaram-te a terra que Deus te entregou

De noite tu vives na tua palhoça
De dia na roça , de enxada na mão
Caboclo roceiro, sem lar , sem abrigo,
Tu és meu amigo, tu és meu irmão.

Menino de Rua
Patativa do Assaré

Menino de Rua, garoto indigente
Infanto Carente,
Não sabe onde vai
Menino de Rua, assim maltrapilho
De quem tu és filho
Onde anda o teu pai? 

Tu vagas incerto não achas abrigo
Exposto ao perigo
De um drama de horror
É sobre a sarjeta que dormes teu sono,
No grande abandono
Não tens protetor 

Meu Deus! Que tristeza! Que vida esta tua
Menino de Rua,
Tu andas em vão
Ninguém te conhece, nem sabe o teu nome
Com frio e com fome
Sem roupa e sem pão

Ao léu do desprezo dormes ao relento
O teu sofrimento
Não posso julgar,
Ninguém te  auxilia, ninguém te consola,
Cadê tua escola,
Teus pais, teu lar?

Seguindo constante teu duro caminho
Tu vives sozinho
Não és de ninguém
Às vezes pensando na vida que levas
Te ocultas nas trevas
Com medo de alguém

Assim continuas de noite e de dia
Não tens alegria
Não cantas nem ri
No caos de incerteza que o seu mundo encerra
Os grandes da terra
Não zelam por ti

Teus olhos demonstram a dor, a tristeza,
Miséria, pobreza
E cruéis privações
E enquanto estas dores tu vives pensando,
Vão ricos roubando
Milhões e milhões

Garoto eu desejo que em vez deste inferno
Tu tenhas caderno
Também professor
Menino de Rua de ti não me esqueço
E aqui te ofereço
Meu canto de dor


caricatura: http://grupodeestudo10.blogspot.com.br/2010/09/vida-de-patativa-do-assa.html

Sites de Patativa do Assaré:
http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/p01/p010388.htm

http://www.fisica.ufpb.br/~romero/port/ga_pa.htm

http://www.releituras.com/patativa_poetclassicos.asp

http://www.e-biografias.net/patativa_assare/

http://www.revistaforum.com.br/blog/2012/11/patativa-do-assare-e-do-mundo/

http://www.tanto.com.br/Patativa.htm

http://www.infoescola.com/biografias/patativa-do-assare/

http://cordel-band2010.blogspot.com.br/2010/08/patativa-do-assare.html

http://www.luizberto.com/repentes-motes-e-glosas/quatro-poemas-de-patativa-do-assare-2


Vídeos sobre Patativa do Assaré

https://www.youtube.com/watch?v=-K0wyhzBTOg

https://www.youtube.com/watch?v=OCWScZc2mzY (Entrevistado por Jô Soares, SBT/1993)


http://cinema.uol.com.br/ultnot/2009/05/21/ult26u28331.jhtm


https://www.youtube.com/watch?v=8d7NgjrE8Lw
Patativa do Assaré - Ave Poesia filme de Rosemberg Cariry (84 minutos)
Sinopse:
O filme aborda a vida e a obra do poeta Patativa do Assaré, destacando a relevância dos seus poemas, o significado político dos seus atos e a sua imensa contribuição à cultura brasileira. Dono de um ritmo poético de musicalidade única, mestre maior da arte da versificação e com um vocabulário que vai do dialeto da língua nordestina aos clássicos da língua portuguesa, Patativa do Assaré é a síntese do saber popular versus saber erudito. O poeta consegue, com arte e beleza, unir a denúncia social ao lirismo. No ano de 2001, Patativa do Assaré foi escolhido como um dos mais importantes cearenses do século 20.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Felicidade / Sylvia Orthof


(...) um buraco no jardim (BELA)















cavado pelo cachorro (CHAMP)
que tanto gosta mim (ROQUE)

FELICIDADE
Sylvia Orthof

Quentinho pão estalado,
manteiga do derretido,
um bom-dia ensolarado,
um nunca ter te esquecido,
uma casa lá na serra,
um buraco no jardim
cavado pelo cachorro
que tanto gosta mim,
um chinelo bem usado,
uma estrela pra se olhar,
na vida simples do mundo
é tão bom se lambuzar!


Quantas grades e gaiolas
trancam nossa liberdade?

Contagem
Sylvia Orthof 

Você já contou estrelas?
E nuvens? E passarinhos?
Já contou quantos dedinhos
têm os pés da centopéia?
Já contou quantas histórias
cabem dentro das idéias?
Já pensou quantas bestagens
podem ser inteligentes?
Já contou quantos gemidos
cabem numa dor de dente?
Já pensou quantas mentiras
escondem certa verdade?
Quantas grades e gaiolas
trancam nossa liberdade?




Sylvia Orthof Gostkorzewicz   (* 1932 + 1997) 

Sites sobre Sylvia Orthof
https://www.facebook.com/SylviaOrthof

https://sites.google.com/site/sylviaorthof/

http://beija-flor-beija-flor.blogspot.com.br/2009/10/sylvia-orthof.html

http://www.construirnoticias.com.br/asp/materia.asp?id=847

http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/literatura/0040_05.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADlvia_Orthof

domingo, 25 de maio de 2014

Receita de olhar / Roseana Murray

faça do seu olhar imensa caravela

Receita de olhar

Roseana Murray 

nas primeiras horas da manhã
desamarre o olhar
deixe que se derrame
sobre todas as coisas belas
o mundo é sempre novo
e a terra dança e acorda 
em acordes de sol

faça do seu olhar imensa caravela
      
Receita de olhar / Roseana Murray. - São Paulo, FTD, 1997.



 


vídeo: Entrevista com a escritora Roseana Murray
https://www.youtube.com/watch?v=7oRWe2KpSic







Transformação
Roseana Murray

Fabrico uma árvore
com uma  simples semente,
terra escura e quieta,
umas gotas de água.

Pouco a pouco,
de lua em lua,
de folha em folha,
enquanto o tempo
desenha arabescos
em meu rosto,
minha árvore se transforma
em poema vivo,
suas letras  são flores,
são frutos, são música.

Fábrica de poesia / Roseana Murray. -  Ed. Scipione, 2008