Brincar com sons
Juntar letras
Formar palavras
Descobrir a sonoridade e o nome de tudo
Que está no mundo
nas coisas
no pensamento.

Ler é tão bom!

Poder viajar
Conhecer mundos de ontem
de hoje
de amanhã.
Imaginar.
Criar.
Sonhar.
A leitura permite isso e muito mais
Pois ler é tão bom!

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sábado, 8 de agosto de 2015

TRAVA-LÍNGUAS / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto

Falará a arara loura? Arara loura falará.
O trava-língua que mais lembra minha infância e era brincado em casa mesmo, com papai, mamãe, minha irmã
e minha madrinha, é o da aranha de seu Saldanha:
"Na sala de seu Saldanha tinha uma jarra e dentro da jarra uma aranha. A aranha arranha a jarra e a jarra arranha a aranha. A aranha arranha a jarra e a jarra arranha a aranha."

Naquele tempo, por pura brincadeira, o trava-língua era responsável por muitas risadas. Só tempos depois, é que aprendi ser um gênero da literatura oral, que consiste numa espécie de jogo verbal,  para se dizer com clareza e rapidez, versos ou frases. E quanto mais difícil o desafio, melhor. É usado, também, no aperfeiçoamento da pronúncia,  na fonoaudiologia.

 Alguns trava-línguas:

A vaca malhada foi molhada por outra vaca molhada e malhada.

Um tigre , dois tigres , três tigres. 

Gato escondido com rabo de fora tá mais escondido que rabo escondido com gato de fora.



Olha o sapo dentro do saco. O saco com o sapo dentro, o sapo batendo papo e o papo soltando o vento.

O sabiá não sabia que o sábio sabia que o sabiá não sabia assobiar.


O rio Capibaribe foi descapibaribado. Quem o descapibaribou foi o descapibaridador.

O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem? O tempo respondeu pro tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.


O doce perguntou pro doce qual é o doce mais doce
que o doce de batata-doce? O doce respondeu pro doce que o doce mais doce que o doce de batata-doce
é o doce de doce de batata-doce.


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

PARLENDAS / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto



Por quase duas décadas, trabalhei no bairro da Guabiraba, RPA 3, na cidade do Recife. Escola Municipal São Cristóvão e Escola Municipal da Guabiraba. Irmãs siamesas. A segunda surgiu da primeira, após reformas administrativas, que separaram espaços físicos, corpo docente e discente. Afinal, houve ano em que a São Cristóvão teve algo próximo a três mil estudantes... Decisão da Secretaria de Educação, pessoalmente, traumatizante para mim. Em 1998, após uma pesquisa sobre folclore, escrevi o texto Parlendas na Guabiraba, publicado na série Folclore, da FUNDAJ, 
sob número 252. 





PARLENDAS NA GUABIRABA
Thelma Regina Siqueira Linhares

Fugindo à regra geral das brincadeiras de correr, muitas vezes agressivas, as meninas da área de Casa Amarela, particularmente da Guabiraba, gostam de brincar com parlendas, durante o recreio conturbado das escolas públicas de 1º grau.

São meninas na faixa etária dos sete aos doze anos que se organizam em duplas ou em quartetos e, juntas, vão cantando e acompanhando, com gestos, o que a letra sugere.

As letras têm rimas que reforçam a marcação da cantilena. Dado o início, as crianças começam a cantar e acompanhar os gestos com atenção, graça e alegria. Ao errar, recomeçam a brincadeira, com a mesma vitalidade, até cansar e enjoar quando, então, partem para outras atividades lúdicas.

É importante destacar, na parlenda, o elemento socializador. Em algumas, há a participação das crianças que rodeiam as que estão cantando e têm, incluídos, seus nomes nas letras e brincadeiras. Às vezes, os meninos podem, democraticamente, brincar.

Destaca-se, também, o elemento lúdico que, despretensiosamente, vai desenvolvendo afinação, ritmo e o gosto pela musicalidade, tão presentes nas crianças.

Ainda há de se ressaltar, entre outros, o desenvolvimento da atenção, do vocabulário e da coordenação motora.

A seguir, alguns exemplos de parlendas cantadas por Flávia, Janaína, Ivana, Isabel, Elza, Luciana, Lucilaine, Joseane, Gerlane, Sunamita, Taís e outras meninas da Guabiraba.

Babalu
(1) Babalu
(2) Babalu é Califórnia
Califórnia é Babalu
Eu só danço discoteca
(3) Discoteca da galinha
(4) Cintura de mocinha
(5) Bumbum empinadinho
(6) Babalu
(7) Aqui prá tu

Gestos que acompanham a cantilena Babalu:

(1) Mãos postas se tocando em palmas dorso das mãos esquerdas juntas
(2) Mãos direitas batendo embaixo e em cima
(3) Mãos nas axilas
(4) Mãos na cintura
(5) Mãos nos quadris
(6) Mãos postas se tocando
(7) Dá o dedo

Comentários da parlenda Babalu

As meninas cantam entusiasmadas e gesticulam conforme a letra. O último verso é cantado com mais ênfase, enquanto, o gesto de dar o dedo é feito com todo vigor, numa atitude autorizada e, até desculpável pela cantilena, apesar de reprimido, normalmente, pelo adulto.

O casamento

Com quem Sthella
Pretende se casar?
Com louro, moreno,
Careca, cabeludo
Rei, ladrão
Polícia, capitão?
Estrelinha do meu coração.

Gestos que acompanham a cantilena O Casamento:

As mãos de cada criança se tocavam na vertical, as duas palmas se batem e bate-se palma, repetindo-se esta seqüência até a palavra coração, quando, então, esticam-se os dedos que, somados vão dar o número da escolha das opções cantadas: 1 - louro; 2 - moreno, 3 - careca, 4 - cabeludo, 5 - rei, 6 - ladrão, 7 - polícia, 8 - capitão, retornando ao 9 - louro e 10 - moreno.

Comentário da cantilena O Casamento:

A dupla que está cantando e gesticulando, pode incluir outra criança que esteja acompanhando a brincadeira.

Se a criança for do ciclo de amizades e o escolhido for um mau-partido, as duas cantoras tornam a escolher outro candidato através de uma nova contagem. Caso contrário, deixam as coisas assim mesmo...

Outras parlendas cantadas pela garotada da Guabiraba:

Dindim, Castelo

Dindim castelo
Mal-assombrado
Xixi de rato
Prá todo lado
A coitadinha
Da princesinha
Não aguentou:
E desmaiou.
Manchete, manchete, manchete
Manchete, manchete
Aberto, fechado, aberto
Cruzado, sentado


Cê cê

Cê cê rê rê cê cê - cê cê
Somos quatro
Eu com tu
Tu com ela
Nós por cima
Vós por baixo
Cê cê rê rê cê cê - cê cê

Conclusão:

É interessante observar que o Folclore está presente no 
dia-a-dia das crianças. Talvez, não tão constante e atuante quanto gostaríamos, mas, revestindo-se do novo, reinventando-se, recriando-se. E contribuindo, com certeza, para tornar a vida mais criativa e feliz. Como as parlendas infantilmente cantadas.


(Linhares, Thelma Regina Siqueira. "Parlendas na Guabiraba". Em Fundação Joaquim Nabuco, Coordenadoria de Estudos Folclóricos. Folclore, 252, julho de 1998)


As parlendas fazem parte da Literatura Oral. Consideradas como brincadeiras, são pequenos textos, versos e rimas, cuja sonoridade e ritmo, divertem. Também chamadas de cantilena e lengalenga. 
Exemplos de parlendas:

Um dois, feijão com arroz.
Três, quatro, feijão no prato.
Cinco, seis, feijão em inglês.
Sete, oito, feijão com biscoito.
Nove, dez, feijão com pasteis!

Uni, duni, tê, 
Salamê, mingüê, 
Um sorvete colorê, 
O escolhido foi você! 


E mais: 

Dedo mindinho, 
Seu vizinho, 
Pai de todos, 
Fura bolo, 
Mata piolho..



Um elefante incomoda muita gente...
Dois elefantes... incomoda, incomoda muita gente...
Três elefantes... incomoda, incomoda, incomoda muito mais...
(...)
Dez elefantes... incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda, incomoda muio mais...
(...)
Cem elefantes... incomoda, incomoda... continua...

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Ditados Populares / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto




Lua pálida anuncia água; vermelha, vento
e branca, bom tempo.


Fazendo parte da literatura  oral, os ditados e provérbios populares são ditos, frases e expressões que transmitem conhecimentos sobre a vida.


Onde há fumaça há fogo.




                Mais vale um pássaro na mão que dois voando.



É o cão chupando manga...

É o cão chupando manga...



Em terra de sapo, de cócoras com ele.

                                  O sol nasce pra todos.

                         Quem planta chuva, colhe tempestade.




                       Depois da tempestade vem a bonança.




Quem canta seus males espanta.



Quais os ditados e provérbios populares 
que você mais gosta?

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

É festa o ano inteiro! / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto


No ano civil é possível identificar, o que, didaticamente, é chamado pelos folcloristas de ciclos folclóricos. Dessa forma, no folclore brasileiro, podemos identificar os quatro principais ciclos folclóricos, a saber:

O Galo da Madrugada - Recife/PE
Ciclo Carnavalesco: muita descontração e irreverência marcam o período das folias de Momo. Com destaque para frevo, maracatu, blocos, caboclinho, urso, máscaras e fantasias. 


girassol: um dos símbolos pascais
Ciclo da Quaresma ou Semana Santa: A Paixão e Morte de Jesus Cristo é o tema central. Destaque, também, para uma culinária à base de coco. 


Balão decorativo
Ciclo Junino: iniciado no dia de São José (19 de março) com o plantio do milho, tem a culminância com os Santos de junho: Santo Antônio – o casamenteiro (13), São João (23) e São Pedro e São Paulo (29). Este ciclo, é bastante comemorado no Nordeste, em meio a muita alegria, cores e festanças. Entre as comidas típicas, à base de milho, destaque para: pamonha, canjica, pé-de-moleque, milho assado e cozido. Quentão. E mais: forró, baião, banda de pífano. Quadrilhas e roupas matutas. Balões, fogos de artifício. Superstições e adivinhações para resolver problemas amorosos. 
   
Decoração natalina
Ciclo Natalino: o nascimento (Natal) de Jesus Cristo é o tema central deste ciclo, ressaltando sentimentos de solidariedade e amor ao próximo. Pastoril, presépio, Papai Noel, troca de presentes são expressões características desse ciclo. Comidas típicas. E mais superstições e crendices. 



E você, 
o que pensa e diz sobre a presença 
dos ciclos folclóricos no cotidiano 
dos brasileiros e brasileiras?



segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Folclore Brasileiro / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto




Folclore Brasileiro / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto


O Brasil possui dimensões continentais, colocando-se como o quinto maior país do mundo em extensão territorial. Fica quase todo no hemisfério sul e uma pequena parte no hemisfério norte. Além de ficar todinho no hemisfério oeste.
Nessa grandiosidade territorial observa-se uma variedade de fusos horários: quatro. E mais, variedades: de clima, de vegetação, de relevo, de relações com a natureza, de economia, etc. etc.

Culturalmente não é diferente. Uma vasta e rica diversidade cultural é observada no Brasil fomentada por mais de cinco séculos de História, pelos povos indígenas, nativos da terra, pelos europeus colonizadores e pelos africanos escravizados. E, depois, por imigrantes, principalmente, italianos, japoneses, alemães e árabes. Além de influências da globalização como se apresenta hoje.

A diversidade cultural é entendida como um conjunto de elementos que representam diferentes aspectos culturais, tais como linguagem, tradições, costumes, religião, organização familiar, política e social, entre outros. Aspectos culturais diferenciados  entre si, reunindo características próprias de determinado grupo humano  em dado território que o faz, através da própria identidade, único.



Região Norte
Sigla
Estado
Capital
AC
Acre
Rio Branco
AP
Amapá
Macapá
AM
Amazonas
Manaus
PA
Pará
Belém
RO
Rondônia
Porto Velho
RR
Roraima
Boa Vista

Os seis estados da Região Norte apresentam forte influência cultural dos povos da floresta. Lendas indígenas, culinária baseada na mandioca e em peixes, além de festas populares como o círio de Nazaré e o festival de Parintins, são alguns exemplos do belo folclore daquela região.
















Região Nordeste
Sigla
Estado
Capital
AL
Alagoas
Maceió
BA
Bahia
Salvador
CE
Ceará
Fortaleza
MA
Maranhão
São Luiz
PB
Paraíba
João Pessoa
PE
Pernambuco
Recife
PI
Piauí
Teresina
RN
Rio Grande do Norte
Natal
SE
Sergipe
Aracaju

Nove estados fazem a Região Nordeste. Os ciclos folclóricos são bastante festejados, especialmente, o carnaval e o São João. Culinária à base de milho e mandioca, artesanato de rendas e barro são algumas das representações culturais nordestinas.
Sigla
Estado
Capital
AL
Alagoas
Maceió
BA
Bahia
Salvador
CE
Ceará
Fortaleza
MA
Maranhão
São Luiz
PB
Paraíba
João Pessoa
PE
Peranmbuco
Recife
PI
Piauí
Teresina
RN
Rio Grande do Norte
Natal
SE
Sergipe
Aracaju


Região Sudeste
Sigla
Estado
Capital
ES
Espírito Santo
Vitória
MG
Minas Gerais
Belo Horizonte
RJ
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro
SP
São Paulo
São Paulo

A Região Sudeste é formada por quatro estados. Festas de cunho religioso são celebradas ao longo do ano, destacando, também, o ciclo carnavalesco. A culinária típica merece destaque.









Região Sul
Sigla
Estado
Capital
PR
Paraná
Curitiba
SC
Santa Catarina
Florianópolis
RS
Rio Grande do Sul
Porto Alegre

São três os estados da Região Sul. Eles concentram a maior influência cultural dos imigrantes, celebrando festas típicas como a festa da uva e a oktoberfest.  Na culinária, destaque para o churrasco.









                                                                                        Região Centro-Oeste
Sigla
Estado
Capital
DF
Distrito Federal
Brasília
GO
Goiás
Goiânia
MT
Mato Grosso
Cuiabá
MS
Mato Grosso do Sul
Campo Grande

Três estados e o Distrito Federal formam a Região Centro-Oeste do Brasil. Culinária de origem indígena com forte influência da culinária mineira e paulista e a procissão do fogaréu  são exemplos do folclore do Centro-Oeste.

Não é mesmo uma riqueza a diversidade cultural do Brasil?!


Dias de Festas 
Thelma Regina Siqueira Linhares

Dias de festas 
Festas na rua 
Eleição 
São João 
Natal 
Carnaval. 

Dias de festas 
Aniversário de família 
Padroeira da cidade. 

Dias de festas 
Quanta felicidade! 
Tem sempre alegria 
E muita folia. 

(Publicado no www.usinadeletras.com.br em 27/10/2002)