Brincar com sons
Juntar letras
Formar palavras
Descobrir a sonoridade e o nome de tudo
Que está no mundo
nas coisas
no pensamento.

Ler é tão bom!

Poder viajar
Conhecer mundos de ontem
de hoje
de amanhã.
Imaginar.
Criar.
Sonhar.
A leitura permite isso e muito mais
Pois ler é tão bom!

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Anedotas e Piadas / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto


Sorrir é um santo remédio...
Anedotas, piadas e outras manifestações de humor,
além de saúde, trazem marcas culturais.
Algumas vezes, veem carregadas de preconceitos 
e discriminações, sem preocupação 
com o politicamente correto.
São histórias curtas, de final surpreendente e engraçado, 
cujo objetivo é provocar  risos e gargalhadas. 

Ebatata... não pode registrar?!
Mas meu vizinho colocou o nome no filho de Emilho...



- Puxa, mas que retrato horrível!
- Não é retrato, é espelho!


 - Que horas vocês costumam almoçar?
- Mamãe disse que hoje 
só depois que a senhora for embora...


 - E as provas?
- Polarmente.
- Polarmente?! 
- Tudo próximo de zero...

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Lendas e Mitos / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto


As lendas e mitos fizeram parte da minha infância. 
Cobra Norato foi uma das favoritas.
O papa-figo, uma das mais temerosas.
Na adolescência e motivo de medos, uma das lendas urbanas mais populares: a perna cabeluda.
E, adulta, quando Sthella era pequena, 
descartamos de seus brinquedos, o boneco Fofão, que lhe demos, por causa da maldição que se espalhou dele...


A lenda do girassol 


A lenda do sol


A lenda da lua


a lenda da noite


a lenda do fogo


As lendas são narrativas, de fato acontecido ou não e que impressionou. E como "quem conta aumenta um ponto", 
 se transformam, com o tempo, recebendo características sobrenaturais e misturando realidade com imaginação. 
Não têm, portanto, compromisso algum com a realidade.
Em geral, as lendas tematizam sobre o ser humano
 e demais seres vivos.

Os mitos são narrativas com componentes simbólicos. 
São inacreditáveis, não reais. Normalmente explicam fenômenos da natureza, criados para dar sentido às coisas, passar conhecimentos e alertar sobre os perigos, defeitos 
e qualidades do ser humano.
Em geral, os mitos tematizam sobre deuses.


Morro de Dois Irmãos em Fernando de Noronha
foto por Sthella Linhares Monteiro
Morro do Pico (321 m) em Fernando de Noronha
foto por Sthella Linhares Monteiro
Lenda da Alamoa


Muitas são as lendas de origem dos povos indígenas:
Açai, Anhangá,  das Amazonas, Boitatá, Boto, 
Caipora, Cataratas do Iguaçu, Cidade Encantada, 
Curupira, da Erva-mate, Galinha Grande, do Guaraná, 
Iara ou Uiara, Lobisomem, Mandioca, Mapinguari, Marupiara, Matinta Perera, Muiraquitã,  Pirarucu, 
do Rio Amazonas, Saci-Pererê, 
Uirapuru, Vitória-régia,etc.

Muitas são as lendas de origem afro-brasileira:
Baobá, Galinha de Angola, 
Negrinho do Pastoreio, Quibungo, etc. 


S O S 
Thelma Regina Siqueira Linhares  

São Francisco de Assis 
o teu xará rio nordestino 
- o Velho Chico – 
clama socorro! 
poluído 
represado 
não quer ser esticado 
quer, sim, ser respeitado 
revitalizado 
para cumprir seu destino. 

Ele 
que já foi considerado o rio da integração nacional 
e já teve transformado seu curso natural 
só quer continuar sua sina 
de Minas à Alagoas 
pois a seca nordestina 
pão se resolve só com barragens 
que modificam paisagens. 
Muito mais é preciso 
atitude, ética e juízo 
pois se até seus mitos e carrancas 
já não assustam mais?!... 
O que pode fazer um rio... 
sozinho? 


(www.usinadeletras.com.br em 07/09/2007)


sábado, 22 de agosto de 2015

Dia do Folclore, 22 de agosto / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto

Marinalva Rufino, artesã de Petrolina/PE
  
LUZ DIVINA 
Thelma Regina Siqueira Linhares 

Para quem tem olhos 
emocionante vê-la 
esculpindo na madeira lindos golfinhos 
usando apenas o tato 
reproduzindo bichinhos 
que, com certeza, 
seus olhos nunca viram. 

Para quem tem olhos de ver 
emocionante vê-la 
e enxergar mais que a artesã 
exemplo de vida 
de uma jovem mulher 
outrora só menina 
do sertão pernambucano 
de Petrolina. 



O mês de agosto, com seus 31 dias, não tem nenhum feriado, mas, com certeza, transcorre festivo nas escolas brasileiras quando o Folclore passa a ser vivenciado em projetos e atividades didáticas diversas.
Essa ocasião, talvez, seja o ponto de partida para uma relação de referências e de pertencimento com o fato folclórico vida afora... pois é preciso mais que um dia para comemorá-lo e vivenciar momentos que se chamam felicidades.


Dia do Folclore Nacional: 22 de agosto. 
O termo  folklore foi criado 
pelo inglês William John Thoms, em 22 de agosto de 1846, a partir das palavras "folk" e "lore".
Em 1948 realizou-se a 1ª Semana Nacional de Folclore, 
na então capital federal, Rio de Janeiro.
Em 1951, aconteceu o I Congresso Brasileiro de Folclore, também no Rio de Janeiro. Naquela ocasião, foi discutida
e aprovada a Carta do Folclore Brasileiro, que 
“...reconhece o estudo do Folclore como
integrante das ciências antropológicas e culturais, condena o preconceito de só considerar como
folclórico o fato espiritual e aconselha o estudo da vida popular em toda sua plenitude, quer no aspecto
material, quer no aspecto espiritual.
Constituem o fato folclórico as maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, preservadas pela
tradição popular e pela imitação e que não sejam diretamente influenciadas pelos círculos eruditos e
instituições que se dedicam ou à renovação e conservação do patrimônio científico e artístico humanos
ou à fixação de uma orientação religiosa e filosófica.
São também reconhecidas como idôneas as observações levadas a efeito sobre a realidade
folclórica, sem o fundamento tradicional, bastando que sejam respeitadas as características de fato de
aceitação coletiva, anônima ou não, 
e  essencialmente popular”.
Em 1965, o 22 de agosto foi oficializado como o
 Dia Nacional do Folclore
pelo Congresso Nacional Brasileiro.


http://socializandoleituras.blogspot.com.br/2015/07/presente-mario-souto-maior.html

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Meteorologia Popular / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto


Pássaros que voam alto, se passam a voar baixo,
é sinal de que vem tempestade...

Lembro que pequenininha, 
gostava de ficar observando as nuvens que passavam
ao sabor dos ventos. Morando em casa, o terraço garantia esse lazer. O título, décadas depois, foi resgatado
 em poema publicado em 2002.

Ao sabor do vento
Thelma Regina Siqueira Linhares 

Nuvens levadas ao vento 
Como é bonito de ver 
Contrastadas com o céu azul 
Formas se formam 
E se transformam. 

Carneirinhos. 
Coelhos. 
Elefantes. 
Lá longe...flocos de algodão 
Branquinhos! 
Formas se formam 
E se transformam. 

Levando a imaginação 
Na velocidade do vento 
Livres 
Como o pensamento.


Observar o tempo para prever chuva ou seca, 
talvez seja um dos primeiros conhecimentos acumulados pelo ser humano, haja vista, a necessidade de garantir a sobrevivência da própria espécie. 
Essa meteorologia popular, foi sendo formatada a partir das observações da natureza, seu funcionamento 
e consequências. Conhecimento popular, que muitas vezes, encontra explicação no conhecimento científico.
Aurora ruiva: vento ou chuva.


 Halo em torno da lua, provavelmente, vem chuva por ai.



Se a cigarra parar de cantar, repentinamente, a chuva pode estar próxima... 

Arco-íris pela manhã é sinal de chuva

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Folguedos, Danças e Músicas Folclóricas pra bem festejar / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto

maracatu rural em Nazaré da Mata / PE
Tudo junto e misturado... 
acho que pode resumir a presença dos Folguedos
Danças e  Músicas da cultura popular deste nosso país, já que, didaticamente, fica difícil classificar 
em uma só categoria.
Presentes nos diferentes ciclos folclóricos, encantam 
e acrescentam à memória afetiva e vivências 
de brasileiros e brasileiras.
Lia de Itamaracá cantando cirandas

SALVE, LIA DE ITAMARACÁ! 
Thelma Regina Siqueira Linhares 

“...Esta ciranda quem me deu foi Lia 
Que mora na Ilha de Itamaracá.” 

Quantos anos já se vão 
E quantas voltas a vida deu... 
Nem sempre como a brisa do vento. 
Nem sempre como o balanço do mar. 
A juventude ficou 
lá nas pegadas da areia de Itamaracá. 
Mas o sonho e o encanto, 
esses, sim, 
continuam 
e hoje é bom recordar 
doces momentos 
da ciranda de Lia de Itamaracá. 

maracatu rural em Nazaré da Mata / PE
Os folguedos folclóricos são festas de caráter popular, caracterizados pela presença de música, dança e representação teatral. Muitos possuem origem religiosa
e raízes culturais dos povos que formaram nossa cultura, especialmente, africanos, portugueses e indígenas. 
Os folguedos fazem parte da cultura popular e do folclore brasileiro.


Exemplos de folguedos:
Bumba-meu-boi, Cavalo Marinho, Cavalhada, Congada, Folia-de-reis, Maracatu de Baque-Virado ou Maracatu Real, Maracatu de Baque Solto ou Maracatu Rural, Marujada, Pastoril, Reisado,etc.



As danças folclóricas representam tradições e cultura de uma determinada região. Em suas origens, muitas apresentam ligação com aspectos religiosos,  fatos históricos, festas e acontecimentos do cotidiano e brincadeiras. Socializantes, são realizadas em espaços públicos como praças, ruas e largos.


Exemplos de danças folclóricas e populares:
Baião, Batuque,
Carimbó, Cateretê ou Catira, Coco, Congada, Chula,
Dança do Boi de Mamão, Dança da Fita, 
Dança do Siriá,
Fandango, Frevo, Jongo, Lundu,
Maracatu, Marujada,
 Pastoris, Pezinho,
Quadrilha,
Samba de Roda, Samba de Matuto, 
Xote, Xaxado, etc.


As músicas folclóricas são canções populares, transmitidas ao longo do tempo, através das gerações. 
Ludicidade, simplicidade das letras e melodias e repetições  facilitam a memorização desse fato folclórico.


Exemplos de músicas folclóricas:
Sapo Cururu ou Jururu, Meu limão,
Pombinha branca, Prenda minha, Peixe vivo, etc.


RITMOS MUSICAIS  
Thelma Regina Siqueira Linhares 

Músicas há em mim 
Frevo no turbilhão das emoções 
O compasso diário é ao som do Forró, Xaxado e Baião 
Na Ciranda tenho a expressão dos sentimentos profundos 
O ritmo fisiológico é no Maracatu e Axé que encontro eco 
No Samba sambo, rebolo, embolo 
E à noite Cantigas de Ninar embalam os sonhos. 

Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - 51º volume - CBJE - RJ

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Cantigas de roda, cantigas de ninar e outros cantares / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto


"Ciranda, cirandinha
Vamos todos cirandar!
Vamos dar a meia volta
Volta e meia vamos dar..."

As cantigas de ninar, as cantigas de roda e outros cantares
ecoam da memória afetiva. Como faz bem!
E como seria difícil listar as mais significativas...
Fragmentos aqui para ilustrar fotos autorais.
E você, qual a sua preferida?


"Se essa rua, se essa rua fosse minha
Eu mandava, eu mandava ladrilhar..."




"Borboletinha
Tá na cozinha
Fazendo chocolate para a madrinha
Poti-poti, perna de pau,
olho de vidro e nariz de picapau"



Algumas Cantigas de Roda (*)
Thelma Regina Siqueira Linhares

Em 1979, quando ensinávamos, realizamos uma pesquisa entre alunos da 1ª a 4ª série do 1º Grau,
de uma escola particular na cidade do Recife. O universo pesquisado totalizou oito turmas e cento
e trinta crianças.
A pesquisa foi composta de um questionário, a título de tarefa de casa, durante as comemorações
do mês de folclore – agosto. E, para a realização da mesma, contamos com a colaboração das
colegas professoras, responsáveis por suas respectivas classes.
O questionário, respondido por crianças na faixa etária dos seis aos doze anos, abrangeu algumas
das manifestações do folclore infantil: cantigas de roda, estórias e lendas, parlendas e travalínguas
e brincadeiras. Também, apresentou perguntas sobre adivinhações, quadrinhas populares e provérbios.
Em algumas respostas percebemos, de modo nítido, a orientação do adulto. Porém, consideramos
que tal interferência não invalidou os dados coletados, pois a transmissão – oral ou não – do fato folclórico às gerações mais novas, foi e continua sendo uma das principais fontes de sua própria sobrevivência.
Nesta pesquisa, apresentamos o que foi possível coletar sobre cantigas de roda. As mais conhecidas pela garotada e suas variações, às vezes, em apenas uma palavra. Descrevemos, também, a maneira peculiar de brincá-las. Na conclusão, apresentamos algumas sugestões que, no nosso entender, poderiam intensificar a presença desta manifestação folclórica no cotidiano infantil.
Uma restrição, desde já, fazemos ao presente estudo. Referimo-nos à nossa falta de conhecimento musical para “prendermos” nas classes de sol ou fá – não sei – a musicalidade das cantigas de roda.

A cantiga de roda que maior freqüência teve na pesquisa foi a Atirei o pau no gato. Brinca-se em roda, de mãos dadas, girando para a direita ou para a esquerda. Não há dramatização. Apenas no
final da música – no “miau” – é que as crianças se acocoram. Além de ter sido a mais citada, esta cantiga de roda apresentou o maior número de variações: às vezes, em uma só palavra; em outras,
em um verso inteiro. A primeira versão foi a mais conhecida:

“Atirei o pau no ga to tô 
mas o ga to tô 
não morreu reu reu 
dona Chica ca 
dimirou-se se 
do miau, do miau 
que o gato deu: 
Miau!” 

“Atirei o pau no ga t ó tó 
mas o ga t ó tó 
não morreu reu reu 
dona Chi c á cá 
De mirou s é sé 
Do berro, do berro 
Do gato teu 
Miau!” 

Fui à Espanha é outra cantiga de roda muito apreciada pelas crianças. Nela, a dramatização está presente e, o que é importante, todos participam em conjunto e igualmente. Por exemplo: apontar
o céu, bater palmas, bater com o pé no chão, requebrar com as mãos na cintura, etc. A preocupação de todos é não ser a avó no final da brincadeira. Isto é, ao ser cantado o estribilho “a bênção vovó”,
 a roda é desfeita e cada criança procura um par. A que ficar sozinha é a avó e para ela se dirigem todos os pares:

“Fui à Espanha 
buscar o meu chapéu 
azul e branco 
da cor daquele céu. 
Bate palma, palma, palma 
Bate pé, pé, pé 
Olha a roda, roda, roda 
Caranguejo peixe é. 
Caranguejo não é peixe 
Caranguejo peixe é 
Caranguejo só é peixe 
Na enchente da maré. 
Samba crioula 
Que vem da Bahia 
Pega a criança e joga na bacia 
A bacia é de ouro 
Areada com sabão 
E depois de areada 
Enxugando com o roupão 
O roupão é de seda 
Camisinha de filó 
E agora vamos dar 
A bênção a vovó! 
A bênção vovó!” (Repete-se diversas vezes)

Outra cantiga de roda em que há a participação do grupo é em A canoa virou. As crianças
vão cantando e dizendo, de cada vez, o nome de um componente da roda. Ao ser chamado,
o participante fica de costas e, continua na roda, até que todos assim estejam.

“A canoa virou 
deixou de virar 
por causa de ____ (o nome de uma criança da roda)
que não soube navegar. 
Se eu fosse um peixinho 
E soubesse nadar 
Eu tirava ____ (repete-se o nome da criança)
Das ondas do mar.” 

Em Pai Francisco, duas crianças são previamente escolhidas e têm, assim, o papel de destaque.
Uma fica dentro da roda, parada, enquanto a outra, o “Pai Francisco”, fica do lado de fora, aguardando a chamada dos companheiros. O grupo começa a cantar e, quando chama o “Pai Francisco”, a roda pára e abre alas para sua passagem. Este deverá dramatizar bastante, para
a alegria da garotada.

“Pai Francisco entrou na roda 
Tocando seu violão 
Delém, dém, dém 
Delém, dém, dém. 
Vem de lá seu delegado 
Que Pai Francisco 
Entrou na prisão. 
Quando ele vem 
Se requebrando 
Parece um boneco 
Se desmanchando.” (bis)

Em algumas cantigas de roda, a amizade existente entre as crianças pode interferir no transcurso da brincadeira. Isto porque, em alguns papéis de destaque que exigem substituição, pode ocasionar a escolha freqüente de determinada criança, em detrimento de outras que, assim, se sente rejeitada. Pode ocorrer, também, o pedido quase coletivo de ser escolhido, com a saída, até, do lugar na roda, o que, de certa forma, tumultua a brincadeira.

A Carrocinha Pegou é um exemplo. Ao ser iniciada a brincadeira, três crianças são escolhidas para ‘cachorrinho”. Estes formam uma roda menor, no centro. Quando chega a hora do estribilho, a roda maior pára e os “três cachorrinhos” escolhem um substituto, respectivamente, com pulos coordenando deslocamentos da mão direita para a testa e calcanhar direito tocando o chão. Em seguida, efetuam este mesmo movimento para o lado esquerdo, alternando-se até o término do refrão:

“A carrocinha pegou 
três cachorros de uma só vez. (bis) 
Trá lá lá que gente é essa? 
Trá lá lá que gente má. (bis)” 

Na cantiga de roda Senhora dona Sancha escolhe-se uma criança que fica acocorada no centro da roda, com os olhos tapados pelas mãos. Quando se canta o último verso, a criança, com os olhos fechados, vai escolher “uma pedrinha”. A escolha consiste em abraçar um dos integrantes da roda, que está parada. Para dificultar a escolha, pode ocorrer que todos resolvam se deslocar quando “Senhora dona Sancha” se aproxima...

“Senhora dona Sancha 
descubra o seu rosto 
seu rosto é de prata 
quero ver a sua cara. 
Que anjos são esses 
Que andam por ai 
É de noite é de dia 
Padre Nosso, Ave Maria. 
Sou filha do rei 
Neta da rainha 
Seu rei mandou dizer 
Que escolhesse uma pedrinha.” 

Como conclusão, arriscamos apresentar as seguintes considerações:
A cantiga de roda constitui um elemento indispensável na socialização infantil, além de ser um importante lazer.
As crianças pequenas começam a brincar de roda já no pré-escolar, ou antes, com as mães,
babás ou coleguinhas.
Em geral, os meninos não gostam muito de brincar de roda – acham que é “brincadeira de menina”.
Embora, a freqüência da roda nos recreios escolares, praças ou áreas de lazer de edifícios seja pequena, é interessante verificar sua presença, ainda que, só como música, canto.
É alentador, de certa forma, observar que a cantiga de roda disputa, com os super-heróis importados
e brinquedos eletrônicos, um lugarzinho nas preferências infantis.
É estimulante saber que as crianças continuam dando as mãos e brincando de roda, embora em número muito reduzido. Mas, continuam cantando:
“Ciranda, cirandinha
Vamos todos cirandar
Vamos dar a meia-volta
Volta e meia vamos dar.”
Nós, adultos, poderíamos e deveríamos contribuir, de modo consciente e objetivo, na preservação
e maior divulgação desta manifestação do folclore infantil – assim como, de muitos outros fatos folclóricos.

Apresentamos a seguir, apenas, três sugestões a respeito:
As professoras poderiam introduzir, com maior freqüência, as cantigas de roda no repertório do
pré-escolar, através de dramatizações, das festinhas ou, simplesmente, dos recreios dirigidos.
As professoras de 1º Grau poderiam usar, como textos de leitura e interpretação, as letras das
cantigas de roda em suas classes.
Os meios de comunicações, em especial a televisão, poderiam divulgar mais as cantigas de roda dentro de suas programações infantis, utilizando-se de concursos, pesquisas e promoções diversas.

(*) Micromonografia da série FOLCLORE, nº 136, de julho de 1983. FUNDAJ.
e
incluso na ANTOLOGIA PERNAMBUCANA DE FOLCLORE. Organizada por Mário Souto Maior e Waldemar Valente. Editora Massangana. Recife. 1988

"Alecrim, Alecrim dourado 
Que nasceu no campo 
Sem ser semeado (bis)

Foi meu amor 
Que me disse assim 
Que a flor do campo é o alecrim"(bis)


"Boi, boi, boi
boi da cara preta
pega esta criança que tem medo de careta"

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Brincadeiras e Brinquedos Populares / PROJETO on line FOLCLOREANDO quase TODO DIA no mês de agosto


"A criança de ontem ensina a de hoje." 
... e poderia ser diferente? 


Brincadeiras, Jogos e Brinquedos Populares 
foram aqui agrupados num único post. Além de exercício físico, agregam valores e afetividades, favorecendo 
o pleno desenvolvimento da criançada. Extrapolam idades, 
e adaptam-se à contemporaneidade, se reinventando...

Listando, algumas, no viés afetivo do agora:
* soltar papagaio/pipa com papai Nami: momento único, em arraia feita a quatro mãos e personalizada;
* mímica com mamãe Ivanice;
gata pintada e cinco pedrinhas  com minha irmã Edna;
* o que é, o que é? com madrinha Getrudes;
* escravo de jó com coleguinhas da infância;
* boca de forno com Sthella, Rodrigo e Júnior;
*forca com estudantes ao longo da vida profissional;
* dedo mindinho com sobrinhos e sobrinhas;
* trava-línguas com Íris e Bruno;
* casinha (ratinho) com tia Dulce;
* tá frio, tá quente! tia Beta;
* jogo da memória com tia Nida.


Folcloreando 
Thelma Regina Siqueira Linhares

Ciranda, cirandinha 
- quem já não cantou? 
Passar anel e pular amarelinha 
- quem já não brincou? 
Cinderela, Branca de Neve 
- quem já não contou? 
Um, dois, feijão com arroz 
- quem já não falou? 

Bola de gude. 
Empinar papagaio. 
Brincar de elástico. 
Boca de forno - forno! 
Estátua. 
Dedo mindinho. 

A criança de ontem ensina a de hoje. 
E assim por diante. 
Amém!

em 15/11/2001)
para Benjamin